terça-feira, 26 de agosto de 2014

18 dicas práticas de quem fez, para quem vai fazer o Caminho!



Um mês depois, atentem no que esta 'sábia' peregrina tem a partilhar de conselhos e dicas práticas, advindos da sua experiência pessoal, para que o vosso Caminho possa correr ainda melhor. Depois de lerem isto, são estes pequenos 'nadas' que durante o Caminho podem representar tudo (ou quase...).




1) DOCUMENTO DE IDENTIFICAÇÃO PESSOAL
É importante, não só por vos identificar enquanto cidadãos com existência registada, mas porque é obrigatório apresentá-lo em qualquer albergue municipal onde queiram pernoitar.

2) MONEY
Ao contrário da ideia que eu tinha criado antes de me pôr ao Caminho, de que dinheiro não tinha importância no Caminho, na verdade ele pode significar a diferença entre fazer ou não esta viagem ou continuar ou não a peregrinação, sem ver a jornada transformada num inferno... Não é necessário muito como para outras viagens, mas o suficiente para ficar em albergues e para comer... Claro que há quem faça o caminho sem ter que comprar comida e pagar para dormir, mas tratam-se de casos excecionais de mendicidade... E os portugueses andam 'mal habituados' porque em qualquer loja se aceita pagamento com cartão e em qualquer esquina deste país há uma caixa multibanco... Mas em Espanha não é assim... facilmente no meio de nenhures encontram uma máquina de servir bebidas em lata a troco de uma... moeda, mas podem passar um ou dois dias sem terem acesso a uma caixa multibanco até encontrarem a próxima cidade. O meu mal foi seguir um conselho comum em vários sites para não se andar com muito dinheiro no bolso. Tretas... Evitem chegar ao meu cúmulo, de ter que pedir dinheiro emprestado e deixar a outra pessoa também sem dinheiro...

3) LANTERNA
Acho que este instrumento tem sido substimado nas listas de necessidades apontadas por essa web fora por quem dá conselhos de bagagem a peregrinos... A lanterna é INDISPENSÁVEL para quem é peregrino e tem necessidade de se levantar cedo, ainda de noite, para se fazer ao caminho, tão simplesmente porque precisa de iluminar as suas coisas e ver por onde anda sem derrubar nada, nem se magoar ou fazer barulho...

4) ARRUMAÇÃO INTERIOR DA MOCHILA
Dei especial atenção a este aspeto. Imaginei o que seria ter que ficar todos os dias em sítios diferentes, partilhados com dezenas de desconhecidos, esgotados pelas jornadas diárias e que só queriam era descansar... e joguei com a necessidade de arrumar 'uma vida' numa mochila, diariamente, de forma prática, rápida, e se possível, silenciosa... A mochila é pouco prática, mas não o suficiente para impossibilitar uma organização eficiente da bagagem. Só perde em algum conforto e ergonomia. Optei por dividir a roupa por tipologia em sacos plásticos de congelação, que são menos barulhentos e têm fecho, sendo reutilizáveis. Coloquei calças e calçoes num, e t-shirts noutro. Por fora escrevi o que tinham. Enrolei as peças como muita gente faz, apertei-as com elásticos e simulei um sistema vácuo para anular o volume e o barulho. Racionalizei a utilização de bolsas e necessaires (uma p/ Primeiros Socorros e outro para Higiene) e de bolsos externos da mochila, colocando coisas que preciso ter sempre à mão: água, toalhetes de bebé, credenciais... levei ainda uma bolsa de pôr à cintura que serviu de porta-moedas, para guardar a máquina fotográfica, o telemóvel, o baton de cieiro,.... Um outro saco plástico de fecho serviu para os carregadores de baterias.

5) A IMPORTÂNCIA DE TER UM CAJADO
Arranjem um pau que vos acompanhe nesta viagem, seja um stick profissional de caminhada em montanha, seja um cajado arranjado no meio do monte, como é o caso do meu, que foi eleito o mais feio do Caminho :D mas por quem eu 'dou a vida' :P. Depois que o termos e chegarmos a Santiago, só conseguimos questionar, 'como foi possível eu pensar fazer o Caminho sem ti?'. Ainda recentemente, na subida a S. Bento da Porta Aberta, no Gerês, levei-o comigo e, mais que um âmparo, o meu cajado foi um impulsionador que me fez superar (e até me divertir com) a subida dos calhaus no monte. 

6) CUIDEM BEM DOS PÉZINHOS
Não façam como eu que, durante o Caminho, negligenciei os pés e não os massajava nem besuntava com nívea, antes de deitar à noite, nem com vaselina antes de calçar as meias de manhã... Tive muitos cuidados antes de partir, mas a preguiça fez 'esquecê-los' durante o Caminho. Resultado: juntando isto à inadaptação ao calçado, vivi momentos desconfortáveis em quase metade do caminho. Era escusado, quando este sofrimento retira bastante qualidade ao tempo que queremos desfrutar da ida até Santiago.

7) KIT ANTI-BOLHAS
Se não tiverem espaço na mochila para um kit de Primeiros Socorros, vão ter mesmo que arranjar e levarem estes elementos que pode impedir que o Caminho se torne infernal: Agulha e linha (e não sejam forretas - como eu fui -  e levem um carrinho de linhas, porque o mais certo é precisarem usar mais do que a que têm...), discos de algodão e desinfetante (não existe Betadine em tamanho 'pocket'. Peçam na Farmácia o 'Timerosal', que é pequenino e com resultados semelhantes), compressas, adesivo, tesoura e pensos para bolhas. Ah e Brufen, por 'descargo de consciência'...

8) ANTI-DIARREICO
Eu era aquela pessoa que tinha a Farmácia mais completa do Caminho concentrada numa bolsa; aquela que cedeu sprays, ligas e comprimidos a quem deles precisava, sem os ter estreado; a que tinha mézinhas para todas as maleitas... Mas, das pesquisas que fiz, estava longe de imaginar que este medicamento, que levei quase que por descargo de consciência, se revelaria o mais precioso de todos... Nunca sabemos que partidas nos pode pregar o nosso organismo pela mudança radical de hábitos durante uma viagem, nem quão aflitiva é a ideia de não ter mais nada à volta a não ser campos e mato, durante kms e kms de extensão... é que eu ainda não sou capaz de abdicar de um WC... e tenho a certeza que não sou a única pessoa com este 'problema'...

9) TOALHITAS DE BEBÉ
Esta é uma versão sofisticada do vulgo (e sempre útil) PH. Descobri recentemente a sua funcionalidade, ainda antes de decidir fazer o Caminho. Acho-os indispensáveis por estas razões:

  1. Não temos vergonha de andar na rua com a embalagem na mão;
  2. Limpam melhor (pensamos nós...)
  3. Cheiram tão bem que pensamos que nunca estivemos tão limpos!
  4. São multiusos, dão para limpar (quase) tudo;
  5. E duram e duram, evitando os desperdícios (só pegamos na segunda ou terceira toalhita se for mesmo necessário!)

Recomendo que se escolha um pacote com abertura resistente, para as toalhitas não perderem frecura e aguentarem a 'agressividade' da viagem.

10) ESPELHO DE BOLSO E PINÇA
Há muita coisa básica em que tem que sepensar e levar, e por isso pouca gente vai se lembrar ou dar relevância a estes dois elementos, a não ser as mulheres... Mas não substimem esta dica: coloquem na lista um espelhinho e uma pinça. De aparentemente frívolo podem passar a necessidade premente...

11) ENCHARPE
Uma das minhas maiores aliadas durante o Caminho, foi... uma encharpe (?!). E não fui de 'modas', escolhi logo a minha favorita. Esta encharpe esteve à altura do desafio. Para além de me ter protegido o pescoço do vento, a pele da fricção da mochila, os ombros do sol (quando o protetor solar acabou), a cabeça da chuva miudinha e do calor, ainda deu um colorido ao caminho, que esta combinação exótica de roxo com laranja não passa despercebida em lado nenhum ;D É um acessório versátil, que recomendo.

12) PROTETOR SOLAR
Não façam como eu, que achei que não era relevante levar a embalagem inteira de protetor solar, só para colocar nas maçãs do rosto e no nariz... E então coloquei um 'nico' num boiãozito desses que vêm nos necessaires de viagem... Como o líquido é algo corrosivo, 'colou' a tampa e tive que partir o boião à pedrada, para aceder ao creme e dividi-lo pelos companheiros de peregrinação. Procurem protetores solares com embalagens de tamanho de viagem, com fator acima de 30+, que o sol galego de julho assim pede...

13) MOLAS ou ALFINETES DE AMA?
Eu segui o conselho da minoria dos testemunhos, que se dizia mais esperta, e levei alfinetes de ama em vez de molas para prender a roupa, mas a verdade é que não vi vantagens no uso do alfinente a prender a roupa na corda ou à mochila. Bem, o ideal será levar dos dois porque também não pesam e pouco lugar ocupam... 

14) BATON DE CIEIRO
Se tiverem uns lábios sensíveis e sofrerem horrores com o frio ou o calor é mesmo indispensável um baton do cieiro. E apliquem-no sem dó nem piedade, generosamente. Mas não um qualquer para o Caminho, como eu levei... apostem num super hidratante e com fator elevado de proteção UV, porque eu, mesmo assim, padeci...

15) ÓCULOS DE SOL
Parece uma piada, porque toda a gente leva e usa, mas nunca é demais reforçar este conselho, vindo de alguém que não consegue andar na rua sem óculos de sol, sem que lhe chorem as vistinhas e pareça uma chinesa...

16) MOCHILA EXTRA?
Oh sim! Eu tive a brilhante ideia de levar esta mochila da decathlon, daquelas que se dobram dentro delas mesmas ficando mais pequenas que uma bola de ténis. Este ítem tornou-se um dos 'must have' da minha bagagem, dando para ir beber umas cañas ou para trazer compras para o jantar ou ainda para levar a muda de roupa para o duche, entre outras funcionalidades, que lhe fui dando.

17) URSINHOS!!
É sempre bom ter à mão um recurso de ugência, com carradas de glicose, para quando as forças comecem a falhar. Há quem leve rebuçados (ocupam espaço), frutos secos (são caros) ou chocolates (derretem-se com o calor). Eu escolhi... gomas em forma de ursinhos, pequeninos e doces, sem colocar em causa a linha :D! Foram um dos ícones do nosso Caminho :)

18) PESQUISEM BASTANTE
A mais importante atitude a ter para se preparar o Caminho é... pesquisar sobre o Caminho. Essencialmente ler bastantes testemunhos de quem já foi a Santiago a pé, sobre o que levar, o que fazer, sobre os albergues, a meteorologia, os hábitos e costumes locais, etc... pesquisem sobre tudo e mais alguma coisa e se puderem, procurem literatura que não seja a descrição de itenerários, mas algo mais profundo (para quem gostar de História, como eu), como 'Os Mistérios da Rota Portuguesa', de Vítor Manuel Adrião.


FP

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